o desabafo de uma campeã

Release da 2 etapa do circuito catarinense de BB – Araranguara – SC (praticamente RS)

POR PÉROLA DE SOUZA

Desculpa os erros, mas estou escrevendo dentro do bus,vocês podem publicar como desejar, porque é mais um desabafo... se quizerem publicar na integra pode ser também, me responsabilizo por tudo que disse (risos)...depois de virar a noite, porque passamos uma roubada tão animal, que chego a pensar :

“o que viemos fazer aquiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii” parecido com o lost...

Sete horas de viagem, estrada horrível, muita garoa e enfim chegamos em Araranguá, depois disso, mais 12 km para dentro da cidade...esgotados, 3 horas da manhã chegamos aos chalés.

No carro, eu (Pérola), Sulivan, Maicon Almeida e Vanessa (namorada do Sulivan). Encontramos o atleta Rogério Silva, (o qual não sabíamos que estaria lá, por isso não informamos antes na assessoria anterior).  Entramos no chalé e aparentemente tudo seria tranqüilo. Quatro horas da manhã chegou a Suzane de Oliveira. Praticamente surtada, porque não deixavam ela entrar no chalé, queriam que ela ficasse até sete e meia esperando para entrar.

Depois de muita discussão ela conseguiu que alguém avisasse ao Sulivan para ir busca-la na portaria. Muitas respirações profundas depois,algumas miseras horas de sono e pela manhã descobrimos que não tinha água na casa...assim, passamos os dois dias enchendo baldes para ir ao banheiro.

Nunca vi tanta chuva na mina vida, tiramos diplomas de rãs. Estou a 3 dias sem saber o que é um pé quente e seco.  A onda até que era gostosinha....mas vamos lá...

Líderes do Ranking (eu e Suzane), vamos tentar manter a calma e curtir...e realmente curtimos muito ainda mais quando a nossa amiga Fabiana Correa (campeã da etapa) chegou e formamos o trio roubada dura...ficamos indignadíssimas pois pagamos uma fortuna nos chalés, e não tinha coberta, água e a pia dava choque...rimos e tivemos que sair de noite comprar cobertores...mas foi divertido porque falamos bastante besteira...só assim...e o tempo todo agradecendo a Deus...podia ser pior...e foi...vamos ver o lado bom das coisas...

 

Nossas baterias estavam marcadas para o domingo. O mundo estava caindo e o pé dágua estava nervoso...um raio caiu no lugar onde dormíamos, de madrugada, e o barulho foi tão estrondoso que ficou mais de um minuto ecoando para longe...foi pavoroso. Depois desse raio choveu no mínimo umas seis horas seguidas.

 

Fomos ao local do campeonato e teve mais ou menos um atraso de duas horas por causa da chuva. Competimos, fizemos nossas finais, eu em terceiro, Suzane em segundo e Fabi em primeiro. Maicon Almeida em quarto na Junior...ele passou várias baterias inclusive na categoria principal (open) ...Sulivan fez a diferença nessa competição, além de ter sido nosso técnico e nos ajudando muito. O palanque foi abalado por causa dos ventos e da chuva e os juízes nos julgavam debaixo da garagem de uma casa em frente ao mar.

Na hora de ir embora, o sol saiu e uma baleia apareceu...coisinhas que vão aliviando um pouco...pena que foi na hora de embora...estava na esperança que meu pé secasse...

Arrumamos as coisas e saímos da cidade mais de oito horas da noite. Todos cansados e com sono. Tendo que revezar volante, estrada sinistra...e como a Lei de Murph é fatal...tudo pode piorar...e juro, mais juro mesmo, que o tempo todo tentamos encarar com bom humor, para atrair positividade....mas não deu, o  carro quebrou...bem na hora que eu estava dirigindo.

Depois de termos vistos dois acidentes horríveis, só agradecemos a Deus por nosso carro ter quebrado, apenas...mas teve uma hora que a cara da galera começou a mudar...dormimos algumas horas no carro, para esperar amanhecer, eu precisava ir embora e tinha que esperar a rodoviária abrir e o Sulivan esperava amanhecer para achar um guincho ou um mecânico pois o problema do carro era fatallll...

Bom, eu tinha que estar aqui em Curitiba antes da cinco da manhã para levar meu filho para uma pequena cirurgia, não consegui bus, tudo lotado, consegui este de 8:20, que pára a cada 15 minutos e fica meia hora parado em cada ponto...e. meu filho já está internado...eu sei que é uma cirurgia simples, mas eu queria estar com ele...queria mesmo...minha mãe está lá. Meus companheiros de carro ficaram para trás, esperando o guincho (conseguiram uma pechinca de 400,00)...talvez consigam chegar hoje ainda em Curitiba (segunda).

E aí eu penso, o que me faz viver assim, que amor incondicional pelo esporte é esse...que me faz sair do conforto do meu lar, da presença dos meus filhos, encarar frio, chuva, estrada, raio, perigo e mau humor de atendentes que não estão nem aí se vc precisa estar urgente em Curitiba...

... ou se viajou a noite toda e precisa descançar para competir...que amor é esse que faz nosso Presidente passar por cima do próprio ego, da opinião da família, protelar sua vida pessoal para ter que engolir os desaforos dos Presidentes de Entidades e donos de marcas sanguesugas...

Que amor é esse que faz a gente se anular tanto....????

E o pior é que vamos de novo...eu sei disso...estaremos lá...como sempre.

 

Pérola de Souza

 

 

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